26 de mar. de 2011

Saúde: Eles não podem mais esperar

Fonte: O Dia Online


Bebês correm risco de morte se governo não resolver falta de anestesista para transplante

POR CLARISSA MELLO
Rio - Há quase 4 meses, as famílias de Andrew Araújo, 1 ano e 7 meses, e Matheus da Silva, 2 anos e 5 meses, enfrentam um pesadelo: o de não saber se os bebês estarão vivos no dia seguinte. Eles estão internados em estado gravíssimo no Hospital Federal de Bonsucesso (HFB) à espera de um transplante de fígado. Cirurgias desse tipo estão paralisadas desde janeiro: anestesistas especializados nelas pediram demissão por não receberem o adicional por plantão hospitalar (APH).

“Em fevereiro, depois que O DIA  fez série de reportagens, o ministro (Alexandre Padilha, daSaúde) prometeu que meu filho ia operar logo, e até hoje nada aconteceu. Meu bebê voltou a ser internado às pressas quarta-feira. Ao lado da cama, colocaram aparelho de ressuscitação. O ministro não sabe o que é ver um filho esperando pra morrer”, desabafou o pai de Andrew, Adailton Francisco.

Foto: Pâmela Oliveira / Agência O Dia
Matheus, 2 anos, no colo da mãe, Maria do Amparo. Ele passa muito mal diariamente, e ela está desesperada | Foto: Pâmela Oliveira / Agência O Dia
“Ele está vomitando quatro, cinco vezes por dia, às vezes com sangue. Estou esperando há tanto tempo que tenho medo de que ele não consiga mais operar”, desespera-se Maria do Amparo de Souza, mãe de Matheus.

Ontem, o defensor público da União André Ordacgy afirmou que até quinta-feira entra com ação na Justiça Federal pedindo que os 349 pacientes na fila do transplante sejam operados em hospitais privados. “O ministério empurra o problema e não resolve nunca. Vamos solicitar também que seja criada remuneração extra para que anestesistas queiram trabalhar no HFB”, afirmou. O presidente da ONG Dohe Fígado, Carlos Cabral, defende que os anestesistas voltem a receber APH — pago quando o profissional é acionado fora do horário de expediente para cirurgias, as quais levam muitas horas. 

Promessas após cobranças

Apenas depois que O DIA entrou em contato novamente com o Ministério da Saúde, ontem, o órgão fez alguma previsão. O diretor do Departamento de Gestão Hospitalar do núcleo do Rio, João Marcelo Ramalho, diz que a cirurgia de Andrew foi marcada para terça-feira. A de Matheus, segundo a nova promessa, deve ser dia 5 de abril, se ele estiver em condições clínicas. O problema é que ele piora a cada dia. Segundo Ramalho, o ministério está procurando anestesistas que queiram trabalhar no HFB. 

Matheus

OUTUBRO DE 2010
Família de Matheus deixa o Maranhão e vem para o Rio tratar problema no fígado do menino.

3 DE JANEIRO
Há 83 dias, mãe descobriu que, mesmo com doador, filho não pode operar por falta de anestesistas.

3 DE FEVEREIRO
O DIA começa a cobrar do governo solução. Dia 11, ministro promete que Matheus faria cirurgia com anestesistas voluntários.

23 DE FEVEREIRO
Ministério volta atrás e afirma que voluntários não poderiam esperar Matheus concluir exames necessários.

24 DE MARÇO
O DIA volta a cobrar. No dia seguinte, família recebe a notícia de que o menino pode ser operado em abril.

Andrew

JANEIRO DE 2010
Família descobre que ele precisa de transplante. Mãe iria doar, mas não há anestesistas.

3 DE FEVEREIRO
O DIA cobra. Dia 11, ministro promete que Andrew faria cirurgia com voluntários. Mas o menino contrai pneumonia. Ministério prometeu marcar data assim que ele ficasse bom. 

2 DE MARÇO
Bebê fica bom, mas recebe alta, sem data para transplante.

24 DE MARÇO
Andrew passa mal e é internado. O DIA cobra. Cirurgia é marcada para terça-feira.

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