Fonte: O Dia Online
O ataque aconteceu durante a visita do presidente americano Barack Obama ao país
Rio - De símbolo da torcida Tricolor a suspeita de ameaça à ordem pública durante a visita do presidente americano, Barack Obama ao Brasil e à imagem do País. Em liberdade provisória desde segunda-feira — após ser presa com outras 12 pessoas, na sexta, durante movimento em frente ao Consulado dos EUA —, Maria de Lourdes Pereira da Silva, 69 anos, vive drama: tentar provar na Justiça que não faz parte de grupo suspeito de jogar coquetel molotov no prédio.

A senhora Maria de Lourdes Pereira está em liberdade provisória | Foto: Márcio Mercante / Agência O Dia
Contra ela e o grupo, pesam as acusações de incêndio criminoso e lesão corporal leve. Segundo o despacho do juiz de plantão, João Felipe Ferreira Mourão, “a colocação em liberdade dos requerentes acarretará grave risco à ordem pública” durante a visita de Obama. Eles foram soltos na segunda-feira, após advogados de defesa entrarem com outro recurso.
Conhecida pelos trajes alegres, o galo de estimação Paquito e a presença constante nos jogos e treinos do Fluminense, a Vovó Tricolor, como foi apelidada pela torcida, passou uma noite na 5ª DP (Gomes Freira) e final de semana no presídio de Segurança Máxima Bangu 8. Segundo filho que não se identificou, ela está traumatizada e abatida e não quis falar sobre o assunto.
“Às vezes, mal-entendidos destroem a vida de uma pessoa. Ela viu a passeata, achou bonito, pegou um cartaz e se juntou ao grupo. Ela não tem malícia nenhuma, mal sabe quem é Barack Obama ou o que significa antiamericanismo”, alegou o advogado dela, Estevão Ricardo de Souza e Souza.
IDOSA PASSOU MAL
Em uma das noites na prisão, a aposentada precisou de atendimento médico. “Começou a passar muito mal, parecia sofrer uma convulsão. Chamamos as carcereiras, mas elas demoraram. Ela foi atendida em algum hospital e depois de uma hora voltou para a cela”, lembrou Gabriela Proença da Costa, que dividiu o espaço de cerca de 15 metros quadrados com a Vovó e mais uma manifestante, Pâmela Rossi.
Segundo Gabriela, em Bangu 8, elas não saíram da cela, com receio da reação das outras presas. “Ouvimos comentário de que éramos terroristas. Elas passavam olhando”.
Liberdade negada porque ato poderia ferir imagem do País
Os manifestantes que ficaram em cela no Presídio Ary Franco, em Água Santa, se queixaram que foram identificados como o suposto grupo que queria matar o presidente americano. Além da cabeça raspada, reclamam que foram revistados nus. A liberdade deles chegou a ser negada, porque o episódio contra o Consulado dos EUA, segundo um juiz de plantão, macula a imagem do País, que sediará nos próximos anos dois dos maiores eventos globais: Copa e Olimpíadas.
“Não fomos agredidos fisicamente, mas verbalmente. Nos chamavam de grupo que queria matar o Obama”, contou Gabriel de Melo, de 21 anos, um dos presos. Para José Haroldo dos Anjos, professor e mestre em Direito pela Uerj, a iniciativa de raspar a cabeça fere os Direito Humanos. “É uma arbitrariedade”, disse ele, que defende que o fato seja apurado pelo Ministério Público. A OAB vai analisar o caso.
A Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) disse que os cabelos foram cortados da mesma forma que os dos demais custodiados que ingressam no Ary Franco.
Alta tecnologia da tenda secreta
A Casa Branca divulgou a tecnologia da tenda usada pelo presidente Barack Obama para ter discussões seguras com seus assessores sobre a situação na Líbia de dentro do seu quarto no hotel do Rio. A tenda é uma instalação especial para troca de informação confidencial e é batizada de Sensitive Compartmented Information Facility (SCIF, na sigla em inglês).
Elas são tidas como os locais mais seguros do mundo para conversas: são à prova de grampos e de som e protegidas contra a ação de hackers.
Obama falava com a secretária de Estado de seu país, Hillary Clinton, e o secretário de Defesa, Robert Gates. Pelas imagens divulgadas, é possível identificar que foi montada no carpete do quarto do hotel. As SCIFs formam anel de ondas eletrônicas que só permitem que entrem na tenda mensagens criptografadas enviadas por linha segura via satélite. As SCIFs são sempre transportadas durante viagens presidenciais.
Reportagem de Christina Nascimento e Fernanda Alves
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