8 de abr de 2011

'Chorei', diz sargento que salvou alunos de ataque à escola no RJ

Fonte: G1 / RJ


PM foi o primeiro a chegar ao local do massacre e conseguiu balear atirador.
Doze crianças morreram no massacre ocorrido nesta manhã em Realengo.

Do Jornal Nacional

"Chorei, sim", disse o sargento Marcio Alexandre Alves, que trocou tiros com oatirador em uma escola municipal em Realengo, na Zona Oeste do Rio, e evitou que o número de mortos no ataque fosse ainda maior. O choro veio após falar com um dos dois filhos pelo telefone, após a tragédia. "O meu filho chegou da escola, foi esquentar o almoço dele no micro-ondas e reconheceu minha voz pela televisão, e aí correu para sala pra assistir", contou. "Aí me ligou, preocupado, chorando. Aí eu também me emocionei, falei com ele que à noite, se Deus quiser, eu vou estar em casa, pra dar um abraço bem forte e um beijo nele", disse.

O policial militar do Batalhão de Polícia Rodoviária do Rio participava de uma operação de rotina de controle de trânsito, quando um menino de 12 anos, ferido no rosto deu o alerta: na escola, a duas quadras dali, um homem estava atirando nas crianças.

O sargento Alves e o parceiro, o cabo Ednei Feliciano, foram até lá. E foi o sargento que deu de cara com o assassino, armado na escada do segundo para o terceiro andar. Alves atirou. "Ele apontou na minha direção, eu efetuei dois disparos e ele caiu", lembrou.

No meio da tragédia, Alves foi tratado como herói pelo governador Sergio Cabral.
O policial, embora veterano no combate, confessou que a ação da escola de Realengo foi de longe a mais triste e a mais emocionante de toda a vida dele. "Já enfrentei situações, ocorrências policiais, combates com traficantes. Agora, nessa proporção, essa tragédia que teve envolvendo crianças, nunca. É uma coisa muito forte", afirmou. "É forte, é uma emoção forte. Sou pai, né? Tenho dois filhos".
O sargento passou a tarde na Delegacia de Homicício, na Barra da Tijuca, também na Zona Oeste. Os detalhes do depoimento dele são importantes para a investigação do crime. Alves está há 18 anos na PM. É casado e tem dois filhos. A tragédia chocou o policial. A reação de uma aluna da escola depois que ele baleou o assassino, o tocou profundamente.
"Uma criança, uma menina olhou pra mim e perguntou se poderia me dar um beijo. Aí eu falei que podia e ela veio e me abraçou, me deu um beijo no rosto, e desceu, saiu correndo, deve ter ido procurar a família"
O ataque
Wellington Menezes de Oliveira, de 23 anos, entrou na Escola Municipal Tasso da Silveira nesta manhã, atirou contra alunos em salas de aula lotadas, foi atingido por um policial e se suicidou. O crime foi por volta das 8h30.

Segundo autoridades, Wellington é ex-aluno, como era conhecido na escola, e entrou sob alegação de que iria fazer uma palestra. Seu corpo foi retirado por volta das 12h20, segundo os bombeiros. De acordo com a polícia, Wellington não tinha antecedentes criminais.
A polícia diz que ele portava dois revólveres calibre 38 e equipamento para recarregar rapidamente a arma. Esse tipo de revólver tem capacidade para 6 balas.
Segundo testemunhas, Wellington baleou duas pessoas ainda do lado de fora da escola e entrou no colégio dizendo que faria uma palestra.
De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, ele falou com uma professora e seguiu para uma sala de aula. O barulho dos tiros atraiu muitas pessoas para perto da escola (se você presenciou o caso? Envie fotos e vídeos ao VC no G1).
A escola foi isolada, e os feridos foram levados para hospitais. Os casos mais graves foram levados para o hospital estadual Albert Schweitzer, que fica no mesmo bairro o colégio.
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Gráfico atualizado da tragédia na escola em Realengo, 12 mortos (Foto: Arte/G1)

Um comentário:

Julia disse...

O governador afirmou em coletiva que professores, funcionários e os 400 alunos da instituição estão recebendo assistência psicológica por tempo indeterminado e prestou solidariedade as famílias e todos os que estão envolvidos nesta tragédia.

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