8 de abr de 2011

Pai tentou socorrer filha ferida, em vão

Fonte: O Dia Online


Rio - O motorista de ônibus Clóvis Martins, 56 anos, havia acabado de chegar em casa, depois de deixar a filha Larissa Silva Martins, 13, na Escola Tasso da Silveira, quando uma amiga da família ligou, dizendo que a menina tinha sido baleada.
Desesperado, Clóvis voltou correndo para o colégio, onde recebeu, nos braços, a filha ferida na cabeça. “Meu marido chegou no colégio e ainda tentou socorrer nossa filha, mas, infelizmente, não deu tempo”, lamentou, em prantos, Maria José Martins, 56. “Não sei se vou conseguir viver sem minha caçulinha”, completou, sendo consolada por familiares.

Psicopata mata 12 estudantes em colégio municipal

Manhã de 7 de abril de 2011. São 8h20 de mais um dia que parecia tranquilo na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, Zona Oeste. Mas o psicopata que bate à porta da sala 4 do segundo andar está prestes a mudar a rotina de estudantes e professores, que festejam os 40 anos do colégio. Wellington Menezes de Oliveira, um ex-aluno de 24 anos, entra dizendo que vai dar palestra. Coloca a bolsa em cima da mesa da professora, saca dois revólveres e dá início a um massacre em escola sem precedentes na História do Brasil. Nos minutos seguintes, a atrocidade deixa 12 adolescentes mortos e 12 feridos.

Foto: Carlos Moraes / Agência O Dia
Maria José, 56, chora a morte da filha caçula, Larissa, 13, abraçada ao filho Henrique, 30, e ao lado de outra filha, Camila, 23: “Não sei se vou suportar essa dor” | Foto: Carlos Moraes / Agência O Dia
Transtornado, o assassino atacou alunos de duas turmas do 8º ano (1.801 e 1.802), antiga 7ª série. As cenas de terror só terminam com a chegada de três policiais militares. No momento em que remuniciava dois revólveres pela terceira vez, o assassino é surpreendido por um sargento antes de chegar ao terceiro andar da escola. O tiro de fuzil na barriga obriga Wellington a parar. No fim da subida, ele pega uma de suas armas e atira contra a própria cabeça.

Na escola, a situação é de caos. Enquanto crianças correm — algumas se arrastam, feridas —, moradores chegam para prestar socorro. PMs vasculham o prédio, pois havia a informação da presença de outro atirador. São mais cinco minutos de pânico e apreensão. Em seguida, começa o desespero e o horror das famílias.

A notícia se alastra pelo bairro. Parentes correm para a escola em busca de notícias. O motorista de uma Kombi para em solidariedade. Ele parte rumo ao Hospital Albert Schweitzer, no mesmo bairro, com seis crianças na caçamba, quase todas com tiros na cabeça ou tórax.

Wellington, que arrasou com a vida de tantas famílias, era solitário. Segundo parentes, jamais teve amigos e passava os dias na Internet ou lendo livros sobre religião. Naquela mesma escola, entre 1999 e 2002, período em que lá estudou, foi alvo de ‘brincadeiras’ humilhantes de colegas, que chegaram a jogá-lo na lata de lixo do pátio.


A carta encontrada dentro da bolsa do assassino tenta explicar o inexplicável. Fala em pureza, mostra uma incrível raiva das mulheres — dez dos 12 mortos — e pede para ser enrolado num lençol branco que levou para o prédio do massacre. O menino que não falava com ninguém deixou seu recado marcado com sangue de inocentes estudantes de Realengo.

Nenhum comentário:

BlogBlogs.Com.Br