9 de abr de 2011

'Um aluno invisível', diz diretor da escola sobre Wellington

Fonte: O Dia Online


POR CHRISTINA NASCIMENTO
Rio - Sempre isolado, de cabeça baixa e evitando falar com os colegas de turma. Era assim que  Wellington Menezes de Oliveira, 24 anos, passou seu período escolar. Segundo o diretor da Escola Municipal Tasso da Silveira, Luís Marduk, de 55 anos, ele era "um aluno invisível”. Não chamava atenção e passava despercebido entre os colegas e professores.

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"Ele era introvertido, tinha dificuldade de trabalhar o coletivo. Era um aluno pouco notado, tanto para positivo quanto para o negativo. Nunca teve comportamento que saísse do normal.  Nada que merecesse algum tipo de tratamento, de estratégia na questão de comportamento. Ele era um aluno invisível”, disse Marduk.

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Ex-colega de turma de Wellington, o carregador Jorge dos Santos, 25 anos, o considerava um aluno inteligente. “Ele nunca tinha dúvida de nada. Passava de ano sem dificuldade”, lembrou ele. O office-boy Fábio dos Santos, 27 anos, contou que Wellington sempre se recusava a jogar futebol com os garotos da escola e que ficava na calçada de casa assistindo as partidas no campo que ficava perto do colégio. “Ele só tocava na bola quando ela caia no quintal da casa dele”.
Foto: Reprodução
Ficha escolar do atirador Wellington Menezes de Oliveira | Foto: Reprodução
Psicopata mata 12 estudantes em colégio municipal

Manhã de 7 de abril de 2011. São 8h20 de mais um dia que parecia tranquilo na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, Zona Oeste. Mas o psicopata que bate à porta da sala 4 do segundo andar está prestes a mudar a rotina de estudantes e professores, que festejam os 40 anos do colégio. Wellington Menezes de Oliveira, um ex-aluno de 24 anos, entra dizendo que vai dar palestra. Coloca a bolsa em cima da mesa da professora, saca dois revólveres e dá início a um massacre em escola sem precedentes na História do Brasil. Nos minutos seguintes, a atrocidade deixa 12 adolescentes mortos e 12 feridos. 

Transtornado, o assassino atacou alunos de duas turmas do 8º ano (1.801 e 1.802), antiga 7ª série. As cenas de terror só terminam com a chegada de três policiais militares. No momento em que remuniciava dois revólveres pela terceira vez, o assassino é surpreendido por um sargento antes de chegar ao terceiro andar da escola. O tiro de fuzil na barriga obriga Wellington a parar. No fim da subida, ele pega uma de suas armas e atira contra a própria cabeça.

Na escola, a situação é de caos. Enquanto crianças correm — algumas se arrastam, feridas —, moradores chegam para prestar socorro. PMs vasculham o prédio, pois havia a informação da presença de outro atirador. São mais cinco minutos de pânico e apreensão. Em seguida, começa o desespero e o horror das famílias.
A notícia se alastra pelo bairro. Parentes correm para a escola em busca de notícias. O motorista de uma Kombi para em solidariedade. Ele parte rumo ao Hospital Albert Schweitzer, no mesmo bairro, com seis crianças na caçamba, quase todas com tiros na cabeça ou tórax.
Wellington, que arrasou com a vida de tantas famílias, era solitário. Segundo parentes, jamais teve amigos e passava os dias na Internet ou lendo livros sobre religião. Naquela mesma escola, entre 1999 e 2002, período em que lá estudou, foi alvo de ‘brincadeiras’ humilhantes de colegas, que chegaram a jogá-lo na lata de lixo do pátio.

A carta encontrada dentro da bolsa do assassino tenta explicar o inexplicável. Fala em pureza, mostra uma incrível raiva das mulheres — dez dos 12 mortos — e pede para ser enrolado num lençol branco que levou para o prédio do massacre. O menino que não falava com ninguém deixou seu recado marcado com sangue de inocentes estudantes de Realengo.

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