24 de mai de 2011

Polícia manda periciar produto que empresário teria ingerido antes de morrer em Niterói

Fonte: O Dia Online


Material de limpeza será comparado com resíduos retirados do corpo

POR VANIA CUNHA
Rio - A conclusão da perícia de que não há sinais visíveis de estrangulamento no corpo de Fábio Gabriel Rodrigues, de 33 anos, contrariou a primeira versão da suspeita pelo crime, a estudante Verônica Verone, de 18, e aumentou o mistério envolvendo a morte do empresário. Para tentar desvendar o enigma, a Polícia Civil apreendeu e mandou periciar um produto de limpeza que a vítima teria ingerido antes de ir para o motel em Niterói, onde acabou morto.

Pouco depois de saber o resultado da análise feita no corpo ainda no local do crime, investigadores recolheram o produto na casa da mãe de Verônica. O material foi enviado para comparação com resíduos retirados das vísceras de Fábio, durante a necropsia do corpo. O resultado pode ajudar a polícia a descobrir a real causa da morte. 

Foto: Paulo Alvadia / Agência O Dia
Em seu primeiro depoimento, Verônica chegou à delegacia de Icaraí  acompanhada do advogado Rodolfo Tompson | Foto: Paulo Alvadia / Agência O Dia
A polícia já analisou uma das versões contadas por Verônica — de que teria arrastado o corpo de Fábio até a garagem da suíte do motel, em Itaipu. Sábado, durante cinco horas, agentes da 77ª DP (Icaraí) remontaram cada detalhe do dia do crime em uma reconstituição na suíte. A moça puxou um saco de areia de 90 quilos, peso da vítima, para mostrar se realmente tinha condições de arrastar o corpo.

Quebra de sigilo

Além das análises dos laudos de necropsia e toxicológico, a polícia também terá que analisar as ligações feitas por Verônica, Fábio e pessoas relacionadas a eles nos últimos oito meses. A Justiça autorizou ontem a quebra do sigilo telefônico de seis celulares, desde 1º de setembro até o dia 18 de maio. O juiz Peterson Barroso Simão, da 3ª Vara Criminal de Niterói, determinou que as operadoras informem, em até 72 horas, os nomes e documentos dos donos dos celulares, além de quais as chamadas feitas ou recebidas nesse período de oito meses.

“Esta medida também visa a trazer outros elementos esclarecedores ao fato e sanar algumas contradições na confrontação dos depoimentos até agora colhidos”, afirmou o magistrado, que também prorrogou a prisão da suspeita por mais 25 dias. De acordo com o advogado da estudante, Rodolfo Thompson, a jovem está muito abalada. 

O crime

O crime ocorreu há cerca de uma semana em um motel em Niterói. Verônica era amante de Fábio há dois anos. No primeiro depoimento, Verônica disse que Fábio teria bebido com amigos entre 13h e 22h de sexta-feira, antes de encontrá-la em Itaipuaçu, distrito de Maricá. Na casa da jovem, o empresário teria ingerido desinfetante depois que a mãe da estudante tirou uma garrafa de vodca da mão dele. Em seguida, Fábio teria saído com a jovem e ido a duas favelas, Inferninho e Caniçal, na Região Oceânica de Niterói, para comprar maconha e cocaína.

Na chegada ao motel, segundo a acusada, teria ocorrido a tentativa de estupro e a reação. Em seguida, Verônica teria tentado tirar o corpo do motel. Mas, sem conseguir, disse que pagou a conta e saiu no carro de Fábio. Depois, teria ido para casa e telefonado para a irmã, pedindo que ela ligasse para o amante e verificasse se ele estava bem.

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