25 de abr de 2011

Maré, o próximo desafio para a polícia do Rio

Fonte: O Dia Online


Chefe do tráfico local utiliza estratégias militares e tenta recrutar bandidos rivais

POR VANIA CUNHA
Rio - Após a ocupação dos complexos do Alemão e da Penha — os mais temidos redutos do tráfico do Rio —, a polícia tem outro grande desafio pela frente: desarticular a quadrilha que domina o conjunto de favelas da Maré. Segundo investigações da 21ª DP (Bonsucesso), os criminosos da região passaram a adotar estratégias inspiradas em organizações militares. A área é vizinha do futuro Centro de Operações Especiais, sede de quatro batalhões da PM, entre eles o Bope.

À frente do bando está Marcelo Santos das Dores, de 29 anos, o Menor P, também conhecido pelos apelidos de Poeta e PQD. Foragido do sistema penitenciário desde 2007, o traficante assumiu o posto na quadrilha após a prisão de outros chefões da facção criminosa Terceiro Comando Puro (TCP) na Maré. Sua diferença diante dos antecessores, segundo a polícia, é o uso dos conhecimentos de ex-paraquedista na hora de impor disciplina a seus subordinados.

Foto: Carlos Eduardo Cardoso / Agência O Dia
Dividido em 15 favelas, o Complexo da Maré é vizinho da futura sede do Centro de Operações Especiais, que abrigará os ‘caveiras’ do Bope | Foto: Carlos Eduardo Cardoso / Agência O Dia
A ‘tropa do mal’, que recebe treinamentos físicos e de combate, usa roupa preta durante suasações, uma espécie de uniforme de guerra. Dois modelos já foram apreendidos pela 21ª DP e pela PM.
 
O levantamento da delegacia mostra que Menor P usa o poder de convencimento para recrutar novos ‘soldados’. Foi assim que conseguiu cooptar 60 bandidos de favelas vizinhas, além de propor aliança com criminosos ligados ao rival Comando Vermelho, como Jorge Ribeiro, o Bodinho.

Numa demonstração de força, a quadrilha invadiu a Favela Nova Holanda, dividida em ‘pelotões’ que tinham entre cinco e sete homens, e tomou metade da comunidade há duas semanas. Na ocasião, um dos ‘soldados’ do tráfico foi obrigado por Menor P a executar dez flexões de braço como punição por haver deixado os carregadores de um fuzil que portava caírem no chão. 

A investigação também aponta que Marcelo da Silva Leandro, o Marcelinho Niterói — principal criminoso solto na hierarquia do Comando Vermelho —, estaria circulando pelas favelas da Maré. 

Quadrilha possui 200 fuzis

Enfrentar o poderio bélico da quadrilha da Maré é outro desafio para a polícia. O bando teria pelo menos 200 fuzis, segundo as investigações da 21ª DP (Bonsucesso). Uma dessas armas foi apreendida pela PM há duas semanas, no dia seguinte à invasão dos criminosos na Nova Holanda.

A área do complexo — com 15 favelas e mais de 100 mil moradores — será um dos alvos dos homens de preto do Batalhão de Operações Especiais (Bope), que deve mudar para a região até dezembro. 

Um dos objetivos da concepção do Centro de Operações Especiais é servir como base para ocupação da região da Maré, retirando do tráfico o domínio sobre as comunidades.

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