13 de jun de 2011

Perigo no transporte escolar na Zona Norte

Fonte: O Dia Online


Para sindicato, quase todo o serviço é pirata na região. Autoridades falham na fiscalização

POR FERNANDA ALVES
Rio - Transporte escolar para levar e buscar os filhos no colégio pode significar, em vez de segurança, perigo. Na Zona Norte, o Sindicato de Transporte Escolar estima que quase todo o serviço é irregular. ‘Blitz do Dia’ flagrou, em frente a colégios da região, crianças conduzidas em condições precárias. A prefeitura admite não fiscalizar transporte clandestino. E, mesmo entre os 1.116 veículos licenciados pelo município, 30% estão irregulares por não terem se apresentado para vistoria este ano.

Na porta do Colégio Pedro II de São Cristóvão, uma van sem placa levava alunos na quarta-feira. Já estudantes do Colégio Militar, na Tijuca, usavam van de linha municipal como escolar.
Foto: Paulo Araujo / Agência O Dia
Em frente ao Colégio Pedro II de S.Cristóvão, Towner sem placa e com grade quebrada no transporte escolar | Foto: Paulo Araújo / Agência O Dia
Segundo o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte Escolar do Rio, Luiz Guarçoni, só 1% do serviço na Zona Norte é regularizado. As irregularidades são mais frequentes na região por desorganização: “As licenças dadas não são direcionadas, e todo mundo vai trabalhar na Zona Sul”. 

Diante da falta de empresas regulamentadas em Cascadura, onde mora, a enfermeira Aline Oliveira, 34, contratou serviço sem licença: “Fico insegura, mas se não fosse assim meu filho não estudaria quando estou de plantão”.A prefeitura diz fazer ações para fiscalizar veículos licenciados e rebocar carros de passeio flagrados transportando irregularmente alunos, mas não soube informar quantos já foram apreendidos. Já o Colégio Pedro II afirma não indicar serviço de transporte aos pais. Procurado, o Colégio Militar não respondeu.Van faz-tudo na TijucaNa porta do Colégio Militar, na Tijuca, van regularizada para frete (à direita) transporta alunos. O veículo não tem a faixa amarela, um dos quesitos exigidos pelo Município para, por exemplo, sinalizar para outros motoristas que aquele utilitário trafega cheio de crianças. Perto dali, van municipal (alto) fazia transporte escolar: o condutor busca 5 crianças no Colégio Militar e 4 em outra escola. Colado ao veículo, adesivo exibe o telefone que recebe denúncias de irregularidades como a cometida pelo próprio motorista: 1746.Em São Cristóvão, amontoados em carro de passeioNa porta do Pedro II de São Cristóvão, muitos veículos de passeio e vans sem licença (acima e à esquerda) transportam crianças. Em um deles, um Fiat Uno de duas portas, a motorista Marisa Moraes levava dez amontoadas, umas no colo das outras. Segundo ela, a situação flagrada na quarta-feira pela ‘Blitz do DIA’ não é rotineira: “Só estou levando todas as crianças hoje porque o outro carro que as busca quebrou”.Os motoristas também não controlam a utilização do cinto de segurança nem respeitam a lei que obriga o uso da cadeirinha para crianças até 7 anos. No Cachambi, pintura simula carro regularPara evitar problemas em blitzes, muitos donos de vans irregulares imitam a aparência dos carros legalizados. Um veículo irregular (foto ao lado) que transporta crianças do Colégio Santa Mônica, no Cachambi, pintou a faixa amarela lateral que identifica o carro regularizado. A dona do veículo informou que já deu entrada no processo de regularização da van e que só roda de forma irregular para não prejudicar as crianças.

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