2 de set de 2011

Aluguel no Rio subiu até 50% no primeiro semestre

Fonte: O Dia Online



Aquecimento do mercado imobiliário e baixo estoque de imóveis disponíveis para locação explicam elevação

Rio - O aquecimento do mercado imobiliário, estimulado pelos financiamentos dos programas habitacionais do governo federal e pelos eventos esportivos, como a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016, levou a uma alta nos aluguéis que chegou a 50% em algumas regiões do estado do Rio de Janeiro, com aumento médio de 30% a 40%.
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Demanda tem sido consistentemente maior que a oferta nos últimos anos, destacam especialistas | Foto: Carlos Wrede / Agência o Dia
O baixo estoque de imóveis disponíveis para locação e a elevada procura também explicam a elevação. De acordo com o Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci/RJ), a valorização dos imóveis ocorreu em diferentes segmentos. 
"A gente vem de um período longo de falta de investimento no setor. O financiamento era restrito, as condições de financiamento não eram as ideais", observou o diretor de Locação do Creci, Carlos Samuel.
"Há cerca de cinco anos, com a mudança de postura do governo federal em relação a financiamentos e ao direcionamento de verbas para a construção civil, a gente passou a ter um aquecimento verdadeiro no mercado, uma facilidade maior de as pessoas poderem comprar, com prazos mais dilatados e melhores condições de pagamento", diz o especialista.

Segundo Samuel, isso aqueceu o mercado, que estava "engessado" há muito tempo. Com a proximidade dos eventos esportivos internacionais, os preços dispararam, analisou. O diretor do Creci acredita que o cenário tende a ser de estabilidade no segundo semestre.

"Para o primeiro semestre de 2012, acredito que haverá efetiva estabilização de preços, principalmente na área de locação porque, até o fim do ano, haverá a entrega de 20 mil unidades habitacionais no Rio".
Atração para investidores

Para o vice-presidente da Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi) do Rio, Rubem Vasconcelos, no entanto, a valorização dos imóveis vai continuar. Ele avaliou que o crescimento está transformando o Rio em grande atração para investidores de outros lugares.
"O Rio de Janeiro está resgatando aquilo que sempre foi: a capital turística do Brasil". Vasconcelos destacou que a locação está ligada ao preço do imóvel. "Se o imóvel aumenta de preço, a locação tem tendência a aumentar de preço".

Segundo Paulo Henrique Fabbriani, também vice-presidente da Ademi, o aquecimento do mercado imobiliário "é um processo inexorável". Isso ocorre, explicou, "porque a gente não está conseguindo manter o nível de oferta de imóveis novos em vários segmentos". Ele citou, como exemplo, os segmentos comercial e de luxo. "A demanda tem sido consistentemente maior que a oferta nos últimos anos. E vai continuar assim".
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Direcionamento de verbas para a construção civil levou a aquecimento no mercado | Foto: Paulo Araújo / Agência o Dia
Fabbriani disse que o estado apresenta muita concorrência para a mesma mão de obra. Projetos como o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) e o Porto Maravilha acabam tirando operários da construção civil.
A escassez de terrenos é outro fator que leva os imóveis a custar mais caro. De acordo com o vice-presidente da Ademi, é alto o volume de empresas novas que estão se instalando na capital. "A pressão de demanda vai continuar muito grande".

Diretor do Creci, Carlos Samuel confirmou que o mercado imobiliário do estado vem atraindo a atenção não só de investidores internacionais, como de estrangeiros, que querem adquirir ou alugar imóveis para morar. Somente a Imobiliária Judice & Araújo registrou alta de 150% do investimento de estrangeiros em imóveis no Brasil, com destaque para as cidades de São Paulo e Rio.

Nos primeiros cinco meses deste ano, a empresa fechou negócios no valor de R$ 25 milhões no Estado para clientes internacionais, que já representam 30% das vendas da imobiliária. Franceses, ingleses, americanos e chineses são destaques entre os clientes interessados em adquirir imóveis na capital fluminense, informou a assessoria de imprensa da imobiliária.
Samuel lembrou que os brasileiros também estão investindo lá fora, especialmente nos Estados Unidos, procurando aproveitar a queda de preços dos imóveis em decorrência da crise americana.

Com informações da Agência Brasil

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