19 de abr de 2011

'Temos que nos unir', diz aluna que voltou a escola no Rio após ataque

Fonte: G1 / RJ


Alunos contaram que escreveram e desenharam em um muro no pátio.
Na terça-feira, haverá atividades para todas as turmas.

Patrícia Kappen e Carolina Lauriano

Do G1 RJ
Os alunos da Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, na Zona Oeste do Rio, deixaram com otimismo o local, nesta segunda-feira (18), no primeiro dia de atividades após o massacre do dia 7 de abril, em que 12 crianças morreram. Os alunos chegaram por volta das 13h e saíram às 15h30.
Estudantes se abraçam no retorno à Escola Municipal Tasso da Silveira, nesta segunda-feira (18) (Foto: Fabio Motta/AE)Estudantes se abraçam no retorno à Escola Tasso da Silveira, nesta segunda (18) (Foto: Fabio Motta/AE)
"Tem que voltar. No começo eu não queria, tive medo. Mas a gente é aluno da escola, tem que dar a maior força. É difícil passar o que passamos, vi amigos mortos. Mas temos que nos unir agora", falou Giovanna Mesquita, de 14 anos.

"Eu estava tensa. Pensei em tudo aquilo que aconteceu, foi esquisito. Depois me soltei, fiquei mais tranquila. Acho que a escola agora precisa do nosso apoio, porque quem faz a escola somos nós", disse Miriam Rodrigues, de 14 anos.
Segundo o relato dos adolescentes do 9º ano, os alunos foram separados em grupos. Alguns desenharam e outros escreveram em um muro no pátio da escola. As salas onde ocorreram os ataques estão fechadas, mas, segundo o diretor da escola, Luis Marduk, alguns quiseram subir até as salas.

"A gente subiu com eles, e também com psicólogos", disse.

Desenho de crianças na escola (Foto: Lucas Marques de Oliveira/arquivo pessoal)Desenho de crianças na escola (Foto: Reprodução)
O muro foi coberto de borboletas, pássaros, o Cristo Redentor, flores e palavras como "paz", "esperança" e "amor", de acordo com os estudantes.
O desenho ao lado foi enviado ao G1 pelo aluno Lucas Marques de Oliveira.
"Foi alegre, animado. Os professores fizeram brincadeiras, nos abracaram muito", falou Edlayne da Silva, 15 anos.
Lorrayne Almeida, de 14 anos, que era amiga de três vítimas do atirador, falou da importância dos alunos darem apoio uns aos outros.
"Eu pensei no dia do ataque que não queria mais voltar para esta escola. Mas os meus amigos foram me dando força, dizendo que eu tinha que voltar. Mas tem colega que já até foi para outra escola".
Segundo a direção do colégio, dos 140 alunos previstos para ir à escola em Realengo, nesta segunda-feira (18), 74 compareceram. E outros oito, de outras turmas, foram até a escola espontaneamente.
O diretor da escola estava satisfeito com o primeiro dia de atividades na escola. Ele afirmou que o número de alunos que compareceu foi além do esperado.
"O primeiro passo foi dado, amanhã a gente vai ter a imagem da reação dos alunos a tudo isso", contou.
Na terça-feira (19), as atividades no colégio começam às 8h no turno da manhã e às 14h no turno da tarde. Todas as turmas estão sendo esperadas na terça.
"A gente espera eles com todo carinho e atenção", disse Marduk. Segundo ele, houve 23 pedidos de transferência de alunos, mas também duas novas matrículas na escola.
'Entrar na escola é o primeiro passo', diz mãe de aluna
“Acho que conseguir entrar já é o primeiro passo”. Esta foi a frase da dona de casaJanaína Rose Gonçalves Ribeiro, ao lado da filha Mírian, de 15 anos, ao chegar na porta da escola nesta segunda-feira.

Janaína disse que não compareceu à reunião de pais e professores na semana passada porque ainda não estava preparada para entrar no local. A filha perdeu duas amigas no massacre: Géssica Guedes e Karina Lorraine.
Segundo pais e alunos que chegavam ao local, a orientação foi que os estudantes não levassem mochilas neste primeiro dia. Para Taynara Faria, de 14 anos, os alunos devem se unir e comparecer à escola neste momento. “É melhor vir do que recuar. (...) Estou feliz em rever os amigos, acho que vamos nos unir mais”, disse ela.
Já Danilo Hotz, também de 14 anos, não estava tão confiante do novo momento da escola. “Estou inseguro ainda porque tudo o que aconteceu foi muito triste”, contou ele. O estudante também conhecia Géssica Guedes, que morreu no ataque.
Postos médico e psicológico
A secretária municipal de Educação do Rio, Cláudia Costin, vai criar uma sala de prontoatendimento médico - com enfermeiro e serviços de primeiros socorros - e outra de atendimento psicológico permanentes. A secretária se reuniu na manhã desta segunda-feira com os professores para ouvir e atender a reivindicação dos pais dos alunos.

Além disso, a secretária se comprometeu a pedir para que dois inspetores da Guarda Municipal auxiliem na segurança da escola. Ela enfatizou ainda que vai incluir a unidade no programa Saúde nas Escolas, que oferece serviços de atendimento dentário e oftalmológico para os alunos. Também serão incrementados programas que garantam mais atividades de artes, esportes e de reforço escolar.

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