25 de mai de 2011

Produtores rurais levam aipim e coco para protestar contra a CSA na Alerj

Fonte: G1 Rio de Janeiro


Agricultores reclamam de poeira brilhante e lavouras alagadas.
Siderúrgica afirma que quer ser boa vizinha e vai evitar problemas.

Do Bom Dia Rio
Produtores rurais e pescadores levaram aipim e coco para as escadarias da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), com o objetivo de protestar contra os danos ambientais provocados pela Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA), em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio, durante uma audiência pública realizada na tarde de terça-feira (24).
Produtores rurais da região e representantes da siderúrgica, que já já foi multada duas vezes, participaram da reunião, que durou três horas. Em pauta, os impactos da companhia na produção de alimentos do local. Moradores denunciaram que, para a instalação do polo siderúrgico, um canal teve que ser desviado, o que estaria provocando alagamento nas lavouras.

"A obra da CSA deviou nosso canal de drenagem, o São Fernando, e o ligou diretamente ao Rio Guandu. Quando o Guandu enche, a água invade o canal de São Fernando, alagando as áreas produtivas de aipim. Consequentemente, perdemos a produção", explicou Otávio Miata, produtor rural.
Entretanto, o diretor de Sustentabilidade da CSA, Luiz Cláudio Castro, disse que todos os estudos hidrológicos feitos naqueles canais mostram que o desvio do rio não foi responsável pelas inundações. "De fato, a comunidade está a até 1,40 metros abaixo do nível máximo de cheia do rio. Quando ocorrem chuvas mais fortes, o refluxo é natural", explicou ele.
A comissão especial da Alerj vai realizar mais duas audiências e o relatório final deve ser entregue ao Ministério Público Federal, pedindo providências e a reparação dos prejuízos.
Chuva de pó prateado
Em agosto do ano passado, moradores de Santa Cruz, vizinhos à siderúrgica, foram surpreendidos por uma chuva de um pó prateado. A CSA informou que o material saiu do alto forno, que apresentou defeito. No fim de 2010, uma nuvem de poeira brilhanteatingiu novamente a região. A CSA chegou a ter as opereções limitadas por causa desses acidentes e foi multada duas vezes pela Secretaria estadual de Ambiente.

Os riscos à saúde dos moradores estão sendo analisados por pesquisadores da Fiocruz e de universidades públicas. Laudos de pacientes atendidos mostraram que a poluição provocada pela CSA causou irritação nos olhos e doenças respiratórias.
Segundo Castro, a empresa desconhece os laudos médicos dessas pessoas. "Temos uma convicção muito grande de que essas emissões foram de um tipo de material que não provoca doenças. Temos consciência dos incômodos que foram causados à população. O que a gente está fazendo é trabalhar muito para que esses problemas sejam resolvidos, para que sejamos cada vez mais bons vizinhos", disse ele, explicando que a empresa tem um projeto em parceria com o Instituto Estadual do Amnbiente (Inea) e a Rio-Águas para resolver o problema.

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